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Palavras não alcançam para descrever os
bons momentos que me brindaram desde a sua chegada.
Começo aclarando que procuramos esta raça porque precisávamos
de um cão de guarda e companhia para convívio com crianças
pequenas, e ao mesmo tempo para proteger uma casa desprotegida, em área
supostamente perigosa. Tínhamos espaço suficiente para
que um cão de porte médio/grande pudesse se criar.
Portanto estávamos predispostos a lidar com as dificuldades que
implicam criar um cão grande e dominante. Em função
da necessidade da sua função.
Eu tenho a sorte de poder conviver no dia a dia com a
maioria dos cães do nosso plantel. Entre crianças e cães,
gosto dizer que me sinto uma mãe de família numerosa.
Portanto gostaria de lhes passar esta experiência:
Características gerais
de todos eles:
Quando atingem a idade adulta, os cane corsos não são
agitados. Estão mais em repouso que em atividade, porém
estão sempre atentos a qualquer ameaça. Em função
do seu peso e a suas características de molossos, não
resistem a tempo prolongado de atividade física (pelo menos aqui
no trópico, pelo calor) , mas são ágeis no momento
que for necessário.
São companheiros, preferem sempre a companhia do dono à
solidão e até a companhia de outro cão na falta
do dono.
São dominantes com outros cães que não formem parte
do seu grupo, e mesmo no grupo costuma ter disputas por espaço,
alimento, brinquedos, etc. chegando a ser difícil em muitos casos
o convívio entre machos adultos.
O seu líder é o seu dono e a sua família. Imediatamente
depois em hierarquia, vem eles. Portanto não é o tipo
de cão que tenta ser mais dominante que o dono: admira e respeita
o seu dono, tenta agrada-lo. Por esta característica é
um tipo de cão obediente e que aprende facilmente os comandos.
São extremamente carinhosos e companheiros das crianças
criadas com eles e , os que estão acostumados a isto, aceitam
muito bem outras crianças amigas da sua família.
Eles não tem índole agressiva com seres humanos, porém
em função da territorialidade que exercem naturalmente,
a sua atitude frente aos estranhos estará regida pela atitude
do dono: se o dono os aceitou, abriu a porta e cumprimentou amigavelmente,
o cão se mantém calmo e até amigável. Se
o dono está desconfiado, ou tenso, o cão se armará
para guarda e estará em atitude ameaçadora. Na ausência
do dono, dificilmente deixarão entrar alguém no seu território.
É muito difícil para mim responder quando me perguntam
se é melhor ter fêmea ou macho. A pesar de terem características
de comportamento comuns a todos eles, a experiência com cada um
dos meus cães em particular é uma experiência única.
Por isso agora falarei em particular de alguns
dos que passam mais tempo comigo:
Zila:
Zila nos aportou a incrível experiência de nos apresentar
à raça cane corso. Zila trouxe da Itália com ela
a elegância, a força, a disciplina, a própria aristocracia
italiana no jardim da nossa casa. Ela é esse tipo de “mulher”
que pela sua posse e sua beleza pode parecer distante, mas que jamais
perderá um minuto da sua vida por poder estar ao seu lado, colocando
a sua suave cabeça no meu colo, o seu olhar no meu olhar, a sua
alegria na hora da brincadeira. Brindando a delicadeza da sua educação
de princesa em todo momento, se posicionando sempre no local certo na
hora certa, sem incomodar jamais a pesar de seu tamanho, sempre limpa,
sempre correta. Zila seria no mundo canino a encarnação
de Grace Kelly, ou de Lady Di: mulheres que a pesar de seu poder, sua
posse e seu tamanho, poderiam ser comparadas com à delicadeza
e leveza de uma bailarina clássica de 40 quilos. Mas ao mesmo
tempo, 100% ciente de seu poder e os seus direitos, é implacável
na hora de defender a sua prole. Não dará nem um mínimo
a mais de confiança a quem não a merece.
Golias:
Golias é o próprio “chefão-da-máfia-siciliana”,
o amante latino. É todo coração e toda potência.
Parece sempre que está sorrindo, mas o sorriso alegre e seguro
daquele que sabe que tem a última palavra. Fisicamente poderia
até compara-lo com Luciano Pavarotti. Mas não, ele me
lembra mais esse tipo de “homem italiano” que almoça
aos domingos ao ar livre rodeado de seus filhos e netos, se emocionando
até as lágrimas pelas gracinhas deles, mas na segunda
feira não terá o mais mínimo remorso em estraçalhar
a quem possa ameaça-los.
Golias é o nosso macho dominante. Aquele que tentará até
a morte fazer todos os outros machos abaixar a cabeça. Mas é,
ao mesmo tempo, o único cão do nosso canil ao qual confio
cuidar de um filhote que chega em casa novo, para que não durma
sozinho e não chore. Golias o cuidará como a um pintinho
delicado com a sua mais incrível ternura, brincará com
ele deitado no chão para não aperta-lo. Fará gracinhas
e até o deixará comer do seu próprio prato. É
o mesmo Golias que durante o cio abre grades de ferro com a cabeça,
que escala muros e abre buracos na tela de proteção com
unhas e dentes, que se joga de um andar para outro para se juntar a
sua “donna”. Que se fraturou mais de uma vez as pernas escalando
grades retorcidas por ficar enganchado. E depois, mesmo fraturado e
dolorido, não desiste das tentativas.
Numa ocasião, não tendo mais como conte-lo durante o cio,
o enviamos por 10 dias para um “SPA para cães especializado
em todas as raças”. Mas quando a noite o dono do hotel
canino chegou numa Fiat Palio weekend igual a nossa, Golias arrancou
da parede o portão do canil e se enfiou dentro do carro como
dizendo: “agora me leva pra casa, eu não moro aqui”.
Golias é aquele que estará sempre no meio da reunião
em constante contato físico com os seus seres amados, enrolado
nas suas pernas debaixo da mesa, no meio das crianças se rolando
com eles no chão, grudado na minha espreguiçadeira se
estou tomando sol, deitado a porta da cozinha se estou cozinhando, tomando
banho na minha mangueira se estou regando. É aquele que, a pesar
da sua força toda, jamais derrubou uma criança ou arrancou
um biscoito das mãos deles. Mas se sem querer pisa no seu pé,
com certeza você terá um dedo quebrado. Eu costumo acreditar
que se eu amarrar o Golias a caminhonete do meu marido e fingir que
estou indo embora, Golias é capaz de carrega-la ladeira acima.
E se não consegue, perderá a vida no intento, mas não
desistirá.
Renzo:
Renzo é mais “reservado”. Sabe que Golias quer mandar,
e o deixa. Mas sabe também que ele já é mais forte.
Se criou sob este domínio, portanto aceita melhor os limites.
É incondicional no seu amor por nós, porém com
menos euforia que seu pai Golias. Ele está sempre aí,
ao nosso lado, porém como uma estátua dessas dos leões
que guardam os templos: estático, observador, distante. Impávido
e imponente, belo e elegante de um jeito que meus olhos não se
cansam de olhar para ele. Parece a ‘versão-macho”
das panteras que acompanhavam Cleópatra nos filmes antigos. Com
seu andar gatuno e cerimonioso e seu olhar distante para as visitas
, como querendo dizer: “não me interessa conhecer mais
ninguém, me basta com a minha família”.
Emilia:
Emilia é a “bionda italiana”, a loira
divertida que parece que chegou para divertir a todos estes cães
pretos sérios e altivos. É a própria Cicciolina,
ou Rafaella Carrá. Não sei se por ser mais jovem, ou por
ser o quinto cão ao entrar no grupo, a sua vida parece uma farra
constante. Brinca e corre o dia todo até deixa-los exaustos;
dá o alerta a toda hora colocando a todos em atitude de guarda
para nada como dizendo: e aí, ninguém se mexe nesta casa?
Ao igual que Zila, deixou as crianças pegar nos seus filhotes
desde a hora do parto, confiando plenamente em todos nós.
Fausto e Ares:
Fausto e Ares, chegaram a nós já adultos e com os dois
tivemos uma experiência semelhante: eles se apegaram a nós
com essa incondicionalidade, com esse amor de quem perdeu seu primeiro
dono e coloca todas as suas esperanças e o melhor de si neste
“segundo casamento”. Eles tem todas as características
dominantes dos outros machos e ao mesmo tempo essa ternura a flor da
pele e essa fidelidade sem par de quem já sofreu uma perda na
vida.
(Ares e as outras fêmeas Cohors não convivem
comigo no Rio de janeiro, e sim São Paulo com a família
Bernacchi, nossos amigos e sócios nesta aventura de perpetuar
esta raça maravilhosa no Brasil).
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