CARÁTER E CONVÍVIO DOS CANE CORSOS

Perguntamos a donos de cane corsos adultos como é o convivio com estes cães.

Nome: Ana Luiza
Idade: 26 anos
Já teve outras raças? Weimaraner e fila brasileiro.
Atualmente tem: 1 cane corso macho (2 anos), 1 dogue de Bordeaux macho (2 anos).

Convivem juntos?: Convivem bem juntos, desde que sejam respeitadas algumas regras. Eles até comem juntos desde que seja só ração, se tiver alguma coisa a mais como uma carne ou um osso eles têm que comer separados.

Com os brinquedos tudo depende do "humor" dos cães, tem dias que aceitam brincar juntos, tem dias que não, por isso os brinquedos têm que ficar guardados para evitar brigas.

Por que escolheu um cane corso? porque ouvi dizer que são excelentes cães de guarda, equilibrados e companheiros.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um? Nunca tive um cão assim, tão obediente, dócil e carinhoso com a família, quer sempre estar do seu lado. Um companheiro para todas as horas e ao mesmo tempo um verdadeiro guardião, sempre atento e vigilante, não aceita a presença de estranhos e está sempre pronto para enfrentar qualquer ameaça.
O que não gostou da raça? Não há nada que eu não goste na raça, apenas algumas observações a fazer: são cães muito possessivos, o que pode gerar brigas por ciúmes com outros cães e em geral não se dão bem com outros cães estranhos.

 

Nome: Gustavo Veloso
Idade: 42 anos
Já teve outras raças?: Já criei Rottweiller, Pastor Alemão.
Atualmente tem: Cane Corso, Pastor Alemão
Convivem juntos?:Tenho uma fêmea de Cane Corso adulta e outra de Pastor adulta, que convivem bem mas em algumas situações por motivo de ciúmes, elas brigam, sem grandes prejuízos.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um?: Tem personalidade, é sem dúvida, uma excelente guarda. Com a familia é carinhosa e confiável.
O que não gostou da raça? -

 

Nome: Inés Anganuzzi
Idade: 32 anos
Já teve outras raças? Pastor alemão.
Atualmente tem: 1 cane corso fêmea(3 anos), 1 pastor belga (11 anos), 2 labradores.

Convivem juntos?: Sim

Por que escolheu um cane corso? porque a minha cunhada tem os pais e gostava das características da raça.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um? Que é mais que um cão, é uma companheira incondicional, sempre cuidando dos seus pais ("donos") sem ser inoportuna ou chata. É guardiã, intimida a quem a vê, mas sem ser agressiva. Por isto não representa um problema ter ela solta como poderia acontecer com outras raças de guarda. É muito carinhosa e expressiva. Eu quase praticamente "converso"com ela e ela me responde com os seus gestos e olhares. Aceita outros cães se eu lhe pedir. Mesmo se no começo os evita ou ignora, é muito provável que no fim termine até brincando com o novo ou pelo menos, integrando-o ao grupo. Apesar disto, é muito ciumenta dos seus seres queridos. É muito ágil quando está solta em locais abertos, mas também passa muitas horas tranquila, descansando.
O que não gostou da raça? Não gosto que por ser tão grande não me acompanhe em períodos longos de atividade física. Eu sei que, se forçar ela, poderia acarretar problemas ósseos ou nas articulações. Mas eu cuido muito dela com uma boa alimentação e ela é muito saudável. Também gostaria que ela pudesse dormir comigo, mas não entra na nossa cama!

 

Nome: Marcos Hasselmann
Idade: 35 anos
Já teve outras raças?American Bulldog, French Bulldog, Dogue Alemão, Dogo Argentino e Rottweiller.
Atualmente tem: 1cane corso macho (1 ano e meio) e ainda tenho todos acima.

Convivem juntos?: SIM, é claro que como todos os animais, as vezes os machos se estranham devido a territorialidade mas de um modo geral, o meu Cane Corso se dá bem com todos os outros cães que possuo.

Por que escolheu um cane corso?A princípio pela beleza... Eu vi o Renzo da Marina numa exposição e fiquei louco! Ele é realmente lindo e resolvi procurar saber mais sobre a raça... Fiz contato com a Marina e não pude resistir depois de tudo o que ela me contou sobre a raça além do que eu havia pesquisado... Depois, quando o meu Renzo chegou eu pude sentir o que é um Cane Corso.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um?Não há um companheiro mais leal do que o meu Cane Corso (também chamado Renzo). É extremamente protetor e não sai do meu lado.
O que não gostou da raça?Sou suspeito pra responder a esta pergunta... Gosto muito da raça.

 

Nome: Orlando Machado Neto
Idade: 26 anos
Já teve outras raças?Bull Terrier.
Atualmente tem: 1cane corso macho (3 ano e meio) e 1 cane corso fêmea (8 meses)

Convivem juntos?: eles convivem juntos sem que haja o menor problema de brigas ou outros mais. Ao chegar em minha casa o filhote de Cane Corso não foi muito bem recebido por um Bull Terrier, mas conviviam juntos

na medida do possível. Pouco tempo após o Bull Terrier morreu, o Cane Corso sentiu muito sua falta e chorava quando ficava muito sozinho então comprei uma fêmea e hoje eles vivem as mil maravilhas.
Por que escolheu um cane corso? Quando adquiri meu primeiro Cane Corso não foi algo planejado, me encantei a primeira vista, sem dúvida a beleza é o que causa o impacto, acho que todos devem concordar comigo, fui ao canil Cohors apenas para ver uma ninhada sem a menor pretenção de compra, aí não teve jeito levei um pra casa na mesma hora.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um? Após 3anos e meio criando esta raça posso dizer algumas características deles: Cães inteligentes, muito carinhosos, não suportam ficar sozinhos sem o dono ou outra companhia canina, bons cães de guarda, cães de fácil adestramento, atléticos bons no quisito aeróbico já não são tão bons em explosão, ótimos para corridas na areia por exemplo, cão altamente previsível de ótimo caráter, ciumentos mas não deixam isso se transformar em agressão.
O que não gostou da raça? Eu diria que o Cane Corso seria um cão perfeito caso não houvesse uma leve tendência nesses cães de grande porte a serem displasicos em raros casos, em particular o Cane Corso desenvolve-se mais as partes traseiras deixando-os algumas vezes com a garupa um pouco mais alta que o resto do corpo.

 

Nome: Marina Reisch
Idade: 39 anos
Já teve outras raças? Setter Irlandes, vira-lata.
Atualmente tem: 3 cane corsos machos (3, 4 e 5 anos), 2 cane corsos fêmeas (6 e 1 anos).

Convivem juntos? Eles convivem juntos, mas desde um ano atrás os machos têm que comer separado, já que o mais dominante não deixa os outros se aproximarem do seu prato e isto acaba gerando brigas. A mesma coisa acontece com os brinquedos e com as visitas: entre dois dos machos, o primeiro que se aproximou não deixa os outros chegarem perto. Com as fêmeas não tenho tido problema até agora.

Por que escolheu um cane corso?
Meu marido escolheu esta raça porque nos mudamos para uma casa e as nossas crianças eram pequenas, portanto procurávamos um cão de guarda dócil e carinhoso.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um?
Eu realmente me apaixonei. Para nos proteger, estes cães percebem o que nós sentimos: eles estão a vontade com quem nós gostamos e com quem se sente a vontade com eles; e desconfiam de quem nós desconfiamos. Eu me sinto muito segura em casa com os nossos corsos no quintal. Na hora de fazer a guarda se transformam e são implacáveis. Mas nos seis anos que convivo com os nossos cães, nunca um deles se voltou contra mim ou contra alguém da família.
Também são cães muito limpos e obedientes. Não são agitados nem muito barulhentos. Quando latem é porque realmente tem alguém se aproximando da nossa casa.
Eu gosto de contemplá-los pela sua beleza. Quando fico olhando para eles brincando de luta ou simplesmente deitados, espalhados pela nossa varanda, me sinto a própria Cleópatra rodeada das suas panteras e leoas.
Com as crianças a sua doçura é tanta que nem tenho palavras para defini-los. Eles se adoram mutuamente. Para os meus filhos eles são parte da família, estão nas suas brincadeiras, nos seus sonhos, nos seus desenhos de família, etc. Para os corsos, os nossos filhos são a sua paixão. Gostam muito também de todos os amigos dos nossos filhos. Esta relação tão próxima entre as crianças e os cães me fez adotá-los como filhos também, portanto me fazem sentir mãe de uma grande família.
O que não gostou da raça?
Não é que eu não goste da sua força e do seu tamanho, mas por este motivo eu não consigo fazer passeios sociais relaxados com eles. São fortes demais para mim. Eles tendem a ameaçar outros cães quando passeiam na guia. Quando estão soltos, acabam sendo mais sociáveis, mas não dá para passear com eles soltos: eu estou ciente do impacto que eles causam nas pessoas, assustam muito pelo seu visual imponente. Por este motivo acredito que estes cães devem ser escolhidos por quem dispõe de um bom espaço para eles. É um cão de guarda de porte grande, portanto precisa de um espaço grande do qual ele toma conta.
Voltando a sua força, é bom esclarecer que estes cães que jamais derrubaram um dos meus filhos, que jamais arrancaram um biscoito das mãos deles, estes mesmos cães, na hora de nos proteger ou em tempos de cio, tem arrancado portões de ferro das paredes, tem escalado muros como gatos, tem conseguido roer portas de madeira dura. Portanto quem escolhe um cane corso deve ter consciência do que está levando para casa. Um animal deste porte em condições precárias ou num espaço que não lhe é adequado, pode tornar-se um grande incômodo.
É também um cão muito companheiro, que sofre em solidão. Portanto é bom que seja escolhido por quem dispõe de tempo para estar com ele ou quem tem algum outro cão para lhe fazer companhia.

 

Nome: Flavia Bernacchi
Idade: 29 anos
Já teve outras raças?Boxer, Yorkshire
Atualmente tem: 1cane corso macho (5 anos),1 cane corso fêmea (2anos), 1 cane corso fêmea (1 anos), teckel fêmea (4 anos)

Convivem juntos?:Sim, na verdade o macho e uma fêmea ficam no sítio e o resto fica em casa, mas nos finais de semana eu levo todos eles para o sítio, e já houve situações em que deixei todos os corsos no sítio por um grande período de tempo. Todos eles comem separado, primeiro para evitar algum problema e depois para eu ter certeza de quem é que esta comendo mais ou menos.
O meu macho chegou em casa com 4 anos, no começo estava um pouco apreensiva para colocá-lo junto com os outros, mas de cara ele se enturmou com a Tekell e com a corso de 2 anos, só demorou um pouco com a corso menor, mas hoje em dia ela faz ele de gato e sapato, eles brincam o dia inteiro.

Por que escolheu um cane corso? Na verdade quem escolheu foi meu pai, eu estava morando fora e quando voltei tinha um corso adulto, que sem o menor problema me adotou.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um? Eu adoro eles, são muito meigos, adoram receber carinho e são ótimo cães de guarda, sempre alerta. Mesmo quando estão passeando na rua e se divertindo, eles sabem todos os movimentos das pessoas ao redor e ninguém chega perto se você não quiser.
São obedientes e super fáceis de se adestrar.
O que não gosta da raça? O caráter dominante que existem em todos o exemplares, se estão todos juntos eu evito fazer carinho, pois eles são um pouco ciumentos.

 

Nome: Tarquino Dalle Nogare
Idade: 38 anos
Já teve outras raças?Setter irlandes, labrador, pastor belga.
Atualmente tem: 1 cane corso fêmea (3 anos), 1 pastor belga (11 anos), 2 labradores.

Convivem juntos?: Sim.

Por que escolheu um cane corso? Porque queria um cão de guarda.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um? Para mim ela é como uma "grande bola de carinho". Nunca imaginei que um cão de guarda pudesse ser assim tão fiel, carinhosa, companheira e ligada comigo. Onde eu estiver a tenho colada, não se separa de mim por nada, mas ao mesmo tempo não me incomoda, não pula em mim. Gosta de brincar um pouco, especialmente quando chego, mas depois só me segue. É muito obediente e aprendeu muito rápido tudo que lhe foi ensinado. É desconfiada com estranhos, não se deixa tocar facilmente por quem não a conhece.
O que não gostou da raça? Esperava que fosse um pouco mais guardiã, mas talvez, no nosso caso, ela esteja muito mimada.

 

Nome: Caio Reisch
Idade: 9 anos
Já teve outras raças? um vira-lata.
Atualmente tem: 3 cane corsos machos (3, 4 e 5 anos), 2 cane corsos fêmeas (6 e 1 anos).

Convivem juntos?: Os machos querem a dominância. As fêmeas as vezes tentam separá-los quando eles brigam. E também o cane corso com outros cães as vezes brigam um pouco porque ficam ciumentos.

Por que escolheu um cane corso? Eu não escolhi, meus pais que trouxeram.
O que achou da raça cane corso depois de conviver com um? Muito boa. São brincalhões quando são filhotes. Quando eles são adultos eu acho eles muito bonzinhos. Eles ficam carinhosos. Eles cresceram comigo, eu nunca tive medo deles. Eu gosto de esperar eles se deitarem para lhes dar carinho.
O que não gostou da raça? NADA! Eu gosto de tudo dessa raça!

(As pessoas entrevistadas possuem cães do canil COHORS e/ou filhos de cruzamentos dos mesmos).

CARÁTER DOS CÃES DO PLANTEL COHORS

"A minha experiência com os corsos desde a chegada da Zila em 1998" , por Marina Reisch.

Palavras não alcançam para descrever os bons momentos que me brindaram desde a sua chegada.

Começo aclarando que procuramos esta raça porque precisávamos de um cão de guarda e companhia para convívio com crianças pequenas, e ao mesmo tempo para proteger uma casa desprotegida, em área supostamente perigosa. Tínhamos espaço suficiente para que um cão de porte médio/grande pudesse se criar.
Portanto estávamos predispostos a lidar com as dificuldades que implicam criar um cão grande e dominante. Em função da necessidade da sua função.

Eu tenho a sorte de poder conviver no dia a dia com a maioria dos cães do nosso plantel. Entre crianças e cães, gosto dizer que me sinto uma mãe de família numerosa. Portanto gostaria de lhes passar esta experiência:

Características gerais de todos eles:
Quando atingem a idade adulta, os cane corsos não são agitados. Estão mais em repouso que em atividade, porém estão sempre atentos a qualquer ameaça. Em função do seu peso e a suas características de molossos, não resistem a tempo prolongado de atividade física (pelo menos aqui no trópico, pelo calor) , mas são ágeis no momento que for necessário.
São companheiros, preferem sempre a companhia do dono à solidão e até a companhia de outro cão na falta do dono.
São dominantes com outros cães que não formem parte do seu grupo, e mesmo no grupo costuma ter disputas por espaço, alimento, brinquedos, etc. chegando a ser difícil em muitos casos o convívio entre machos adultos.
O seu líder é o seu dono e a sua família. Imediatamente depois em hierarquia, vem eles. Portanto não é o tipo de cão que tenta ser mais dominante que o dono: admira e respeita o seu dono, tenta agrada-lo. Por esta característica é um tipo de cão obediente e que aprende facilmente os comandos.
São extremamente carinhosos e companheiros das crianças criadas com eles e , os que estão acostumados a isto, aceitam muito bem outras crianças amigas da sua família.
Eles não tem índole agressiva com seres humanos, porém em função da territorialidade que exercem naturalmente, a sua atitude frente aos estranhos estará regida pela atitude do dono: se o dono os aceitou, abriu a porta e cumprimentou amigavelmente, o cão se mantém calmo e até amigável. Se o dono está desconfiado, ou tenso, o cão se armará para guarda e estará em atitude ameaçadora. Na ausência do dono, dificilmente deixarão entrar alguém no seu território.
É muito difícil para mim responder quando me perguntam se é melhor ter fêmea ou macho. A pesar de terem características de comportamento comuns a todos eles, a experiência com cada um dos meus cães em particular é uma experiência única.

Por isso agora falarei em particular de alguns dos que passam mais tempo comigo:

Zila:
Zila nos aportou a incrível experiência de nos apresentar à raça cane corso. Zila trouxe da Itália com ela a elegância, a força, a disciplina, a própria aristocracia italiana no jardim da nossa casa. Ela é esse tipo de “mulher” que pela sua posse e sua beleza pode parecer distante, mas que jamais perderá um minuto da sua vida por poder estar ao seu lado, colocando a sua suave cabeça no meu colo, o seu olhar no meu olhar, a sua alegria na hora da brincadeira. Brindando a delicadeza da sua educação de princesa em todo momento, se posicionando sempre no local certo na hora certa, sem incomodar jamais a pesar de seu tamanho, sempre limpa, sempre correta. Zila seria no mundo canino a encarnação de Grace Kelly, ou de Lady Di: mulheres que a pesar de seu poder, sua posse e seu tamanho, poderiam ser comparadas com à delicadeza e leveza de uma bailarina clássica de 40 quilos. Mas ao mesmo tempo, 100% ciente de seu poder e os seus direitos, é implacável na hora de defender a sua prole. Não dará nem um mínimo a mais de confiança a quem não a merece.

Golias:
Golias é o próprio “chefão-da-máfia-siciliana”, o amante latino. É todo coração e toda potência.
Parece sempre que está sorrindo, mas o sorriso alegre e seguro daquele que sabe que tem a última palavra. Fisicamente poderia até compara-lo com Luciano Pavarotti. Mas não, ele me lembra mais esse tipo de “homem italiano” que almoça aos domingos ao ar livre rodeado de seus filhos e netos, se emocionando até as lágrimas pelas gracinhas deles, mas na segunda feira não terá o mais mínimo remorso em estraçalhar a quem possa ameaça-los.
Golias é o nosso macho dominante. Aquele que tentará até a morte fazer todos os outros machos abaixar a cabeça. Mas é, ao mesmo tempo, o único cão do nosso canil ao qual confio cuidar de um filhote que chega em casa novo, para que não durma sozinho e não chore. Golias o cuidará como a um pintinho delicado com a sua mais incrível ternura, brincará com ele deitado no chão para não aperta-lo. Fará gracinhas e até o deixará comer do seu próprio prato. É o mesmo Golias que durante o cio abre grades de ferro com a cabeça, que escala muros e abre buracos na tela de proteção com unhas e dentes, que se joga de um andar para outro para se juntar a sua “donna”. Que se fraturou mais de uma vez as pernas escalando grades retorcidas por ficar enganchado. E depois, mesmo fraturado e dolorido, não desiste das tentativas.
Numa ocasião, não tendo mais como conte-lo durante o cio, o enviamos por 10 dias para um “SPA para cães especializado em todas as raças”. Mas quando a noite o dono do hotel canino chegou numa Fiat Palio weekend igual a nossa, Golias arrancou da parede o portão do canil e se enfiou dentro do carro como dizendo: “agora me leva pra casa, eu não moro aqui”.
Golias é aquele que estará sempre no meio da reunião em constante contato físico com os seus seres amados, enrolado nas suas pernas debaixo da mesa, no meio das crianças se rolando com eles no chão, grudado na minha espreguiçadeira se estou tomando sol, deitado a porta da cozinha se estou cozinhando, tomando banho na minha mangueira se estou regando. É aquele que, a pesar da sua força toda, jamais derrubou uma criança ou arrancou um biscoito das mãos deles. Mas se sem querer pisa no seu pé, com certeza você terá um dedo quebrado. Eu costumo acreditar que se eu amarrar o Golias a caminhonete do meu marido e fingir que estou indo embora, Golias é capaz de carrega-la ladeira acima. E se não consegue, perderá a vida no intento, mas não desistirá.

Renzo:
Renzo é mais “reservado”. Sabe que Golias quer mandar, e o deixa. Mas sabe também que ele já é mais forte. Se criou sob este domínio, portanto aceita melhor os limites. É incondicional no seu amor por nós, porém com menos euforia que seu pai Golias. Ele está sempre aí, ao nosso lado, porém como uma estátua dessas dos leões que guardam os templos: estático, observador, distante. Impávido e imponente, belo e elegante de um jeito que meus olhos não se cansam de olhar para ele. Parece a ‘versão-macho” das panteras que acompanhavam Cleópatra nos filmes antigos. Com seu andar gatuno e cerimonioso e seu olhar distante para as visitas , como querendo dizer: “não me interessa conhecer mais ninguém, me basta com a minha família”.

 

Emilia:

Emilia é a “bionda italiana”, a loira divertida que parece que chegou para divertir a todos estes cães pretos sérios e altivos. É a própria Cicciolina, ou Rafaella Carrá. Não sei se por ser mais jovem, ou por ser o quinto cão ao entrar no grupo, a sua vida parece uma farra constante. Brinca e corre o dia todo até deixa-los exaustos; dá o alerta a toda hora colocando a todos em atitude de guarda para nada como dizendo: e aí, ninguém se mexe nesta casa?
Ao igual que Zila, deixou as crianças pegar nos seus filhotes desde a hora do parto, confiando plenamente em todos nós.

 

Fausto e Ares:
Fausto e Ares, chegaram a nós já adultos e com os dois tivemos uma experiência semelhante: eles se apegaram a nós com essa incondicionalidade, com esse amor de quem perdeu seu primeiro dono e coloca todas as suas esperanças e o melhor de si neste “segundo casamento”. Eles tem todas as características dominantes dos outros machos e ao mesmo tempo essa ternura a flor da pele e essa fidelidade sem par de quem já sofreu uma perda na vida.

 

 

(Ares e as outras fêmeas Cohors não convivem comigo no Rio de janeiro, e sim São Paulo com a família Bernacchi, nossos amigos e sócios nesta aventura de perpetuar esta raça maravilhosa no Brasil).

O Caráter dos Cães COHORS, grupo São Paulo, por Flavia Bernacchi.

Eu, como Marina, posso conviver com todos os meus “canes”, e saber bem o que cada um gosta e como é a personalidade de cada um deles:

Ares.
Esse é um bonachão, tem todas as fêmeas só para ele e não precisar competir com nenhum macho. No fundo quem manda, são as fêmeas: ele deixa elas se resolverem, só não quer muito barulho perto dele. Parece uma criança, sempre que apronta fica, como se uivasse, pedindo desculpas, antes mesmo de alguém brigar com ele. Quando tem alguma fêmea no cio fica correndo entre o canil e a primeira pessoa que esta perto dele, como se pedisse “abre a porta para mim”; é como se ele falasse, e sabemos muito bem o que ele quer com os gestos e barulhos dele, ele é o cão mais manhoso do plantel Cohors que fica em São Paulo: quando quer carinho ele belisca a barriga das pessoas é como se ele desse uma ordem: “ eu quero carinho e tem que ser agora”. Essa é uma característica comum nos meus corsos, eles pedem carinho como se fosse uma ordem. Está sempre alerta pronto para defender todos da casa.

 

Gabriella
É a mau humorada da turma, não se enturma com cachorros, só quer a companhia dos humanos. Com nós esta sempre alegre, abanando o rabo, mas com aquela cara séria de quem quer mostrar que quem manda é ela. Como o Ares, ela impõe também a obrigatoriedade do carinho, quando lhe dá na telha (quer dizer sempre), fica puxando a nossa mão com a pata gigantesca, toda meiguinha. Se fosse para caracterizá-la de outra forma, ela seria a hipopótama bailarina da Disney: enorme, desajeitada, mas meiga, leve e educada. É a única dos cães que quando nos damos petiscos ela pega com os dentinhos toda delicada, para não machucar os dedos da pessoa. Enfim, é uma doçura em forma de gigante.

 

 

Anna e Malena
Mãe e filha, cara de um focinho de outro. Temperamento também muito parecido, a Anna é muito agitada, já a Malena fica assim quando a mãe está por perto. Fora estes momentos, a Malena está comendo uma mangueira, arrancando os fios do telefone..., mas também ela é muito nova: como todo cane corso, ela será considerada adulta com 2 a 3 anos. Enquanto isso tempos que dar um desconto e ter paciência.

 

 

 

 

Thor
Esse foi o meu primeiro contato com Cane Corso, infelizmente ele já se foi, e sem deixar herdeiros. Ele foi criado pela nossa mascote salsichinha (Datchshund), e ele a idolatrava, a ponto de ter uma fêmea no cio e ele brigar com ela porque rosnou para a salsichinha. Este corso também falava, certa vez estavam os dois latindo no portão e ele mordeu a salsichinha. Fez dois furos nela que tiveram que ser costurados, quando retornei do veterinário, estava ele na porta da cozinha cabisbaixo olhando para a salsichinha. Era como se pedisse perdão, ela foi até ele lambeu o nariz dele, ela estava perdoando o incidente, ele levantou e começou a correr para todos os lados de alegria, desde então ninguém mais chegava perto dela. Ele estava sempre por perto para tomar conta, ela era a mãe dele e só ele poderia virar ela de costas, prender a cabeça dela no chão e ficar lambendo a cara dela. Nunca vi um cão tão grande saber tanto os limites de brincadeira, ela fazia o que queria com ele, ele chegava a berrar de dor quando ela atacava a bochecha dele. Ele deixou saudades, mais ainda por saber que um cão tão lindo não deixou descendente!!!!