CORSO: ORGULHO ITALICO

Revista Cani – outubro 2002 - Itália
Texto de Mario Sasso.

RAÇA ECLÉCTICA
(...) Pastor de bovinos, ovinos, caprinos, eqüinos e suínos; caçador de javalis, furões e porcos-espinhos; cão de guarda, enfim, um auxiliar das mil facetas e um companheiro precioso no trabalho do homem.
Todos estes usos variados transformaram o corso num cão versátil, capaz de fazer hoje em dia uma guarda formidável e de ser também um amigo precioso, habituado a estar sempre próximo ao homem acompanhando-o no trabalho.
A história e os testemunhos escritos fascinam os cinófilos, mas é o caráter deste cão o aspecto morfológico que faz com que as pessoas se apaixonem por este incomparável molosso.
Inseparável companheiro da vida , inteligente, reservado e muito equilibrado o cane corso cultiva uma relação especial, quase obsessiva, com o dono e, como todos os molossos, tem uma relação muito especial com as crianças.
Não é um cão que ama as festas, mas sim as manifestações de amor sincero, mesmo que seja um simples carinho, o recebem profundamente e é necessário estar atento para compreender a sua resposta. Ama o contato com o homem tanto, que tenta estar sempre por perto , apoiando se delicadamente nas pernas do dono como se fosse um “gatão”. Os comandos não devem ser dados com força (é bastante inútil dado o tamanho) mas deve educar se o corso controlando o tom da voz e lembrar que o seu nível de aprendizado é muito alto.
Com as crianças é surpreendente no que respeita à sua tolerância e dificilmente deixará que se aproximem estranhos já que perto deles se comportará como um verdadeiro segurança.
A pesar do tamanho é um cão ágil e é impressionante o pulo que pode dar de perto e de repente.
A função de guardião a realiza de forma impecável e até os filhotes nos primeiros meses de vida demonstram um certo interesse por tudo que os rodeia e estão sempre prontos para arrepiar os pêlos quando sentem rumores estranhos. Bem educado dificilmente morderá de improviso : sabe passar o recado para a visita indesejada dando lhe a entender que seria melhor dar meia volta se não quiser experimentar a sua mordida. Não há necessidade de estimulá-lo para a guarda e a defesa da propriedade: nasce com estas características.
É melhor abrir sempre a porta de casa com o corso ao nosso lado para fazer as apresentações necessárias e aceitará de bom grado o nosso hospede, mesmo que não tire os olhos dele controlando todos os seus movimentos.
É um cão que se adapta a todos. Ou melhor, a todas as pessoas que respeitam os animais, porque certamente é um cão forte que se cair nas mãos erradas, poderia ver exasperada toda a sua potencialidade de mordida e força. Por este motivo cada proprietário de fêmea cane corso que deseje fazê-la virar mãe , deve fazer uma boa escolha tanto do padreador (verificando a ausência de patologias hereditárias e que não tenha distúrbios de caráter) , como assim também estudar os futuros proprietários dos filhotes verificando que estejam à altura...
Estas e outras medidas devem ser respeitadas para não estragar , como costuma acontecer, um patrimônio italiano.

MACHO E FEMEA: IGUAIS NÃO SÃO...
Assim como existe uma diferencia de caráter de sujeito para sujeito, esta é ainda maior entre sexos opostos.
O macho é mais impetuoso e fogoso e quando brinca adora o encontro físico : quando se vê um corso brincando com o próprio dono parece um urso pelo tamanho, mas sabe ser delicado com pessoas que não agüentam o seu peso. Limita se a colocar a sua patona no colo para convidá-lo a brincar. Os machos em geral são mais mimosos com as mulheres, são capazes até de ficar de barriga para cima para receber algum agrado delas, mas com homens tendem a ser mais brutais , gostam de demonstrar ao dono como são “machões” e que não tem tempo para “dengosidades”....
As fêmeas em geral se deixam levar com maior facilidade, são mais doces e pacatas, sem dúvida sabem ser mais “espertinhas” e sabem como conquistar o seu amo com qualquer persuasiva melindre. Mas se for preciso se transformam em guardiãs temíveis e não é difícil ver fêmeas mais bravas na guarda que os machos.

CONVERSANDO COM EXPERTOS
Anna Battaglia, do canil Ântico Cerberus, (Mantova, Itália. Tel:39 037645625) nos cedeu gentilmente um retrato do corso:

- Como cresce um filhote de corso e a que devemos dar mais atenção? Como deve ser educado?
“ O primeiro ano de vida é sem dúvida o período mais importante e determinante para a vida futura do cão, para o correto desenvolvimento tanto físico quanto psíquico. É necessário preocupar se com a boa alimentação , que deve ser bem equilibrada para as exigências de um filhote de porte medio/grande como é um corso. Mas mais ainda deve se prestar muita atenção no que respeita ao desenvolvimento psíquico do filhote que permita atingir os melhores resultados na relação cão-homem. Para isto deve ser aplicado um programa educativo na base de prover uma correta socialização e de simples regras de “boas maneiras”. As melhores bases que permitam ao cão um bom inserimento na vida social e/ou um adestramento futuro.”

- Como vê o corso atual e o que é necessário melhorar sob o aspecto morfológico e caraterial?
“No nível morfológico , desde o reconhecimento da raça até hoje, avaliando os sujeitos nas exposições caninas noto uma maior homogeneidade de tipo , a pesar de ser ainda muito evidentes alguns defeitos na relação das cabeças e as proporções e construções dos troncos. No nível do caráter se fez muito menos: mesmo se por um lado teve uma leve aproximação aos campos de adestramento, por outro a raça precisa mais de um único controle nos reprodutores com potencialidade caraterial , que permita atingir na criação uma escrupulosa seleção na base temperamental.”

- Pensa que o LIR deve ser fechado?
“Mas que fechar o LIR penso que deve ser concedido com maior critério . O risco maior é aquele de ver atribuir certificado de tipicidade para sujeitos que pouco tem a ver com um cane corso. Por isto seria bom que a classe LIR seja julgada exclusivamente em exposições ou pistas da raça pré estabelecidas , por juizes expertos na raça designados pela Sociedade Especializada. Isto permitiria ter homogeneidade nos critérios de julgamento.(...) “

- Adestramento, sim ou não? Guarda ou defesa?
“ Com certeza adestramento sim. Por séculos o cane corso foi fiel e insubstituível auxiliar do homem. Hoje em dia o fim principal do adestramento é obter do cão um correto inserimento social, e de manter e exaltar as suas dotes carateriais que o distinguiram no passado . Como definição considero que a que mais se adapta é a de defensor... da propriedade e da pessoa. A sua forte territorialidade, que se manifesta nos seus ótimos dotes de vigilância e a sua possessividade , o induzem a defender com determinação aquilo que cuida.”
(...)

- O que faltaria para ter uma “união “ entre cão de trabalho e cão de exposição?
“ Este é um ponto difícil que atinge muitas raças de utilidade. Para o cane corso é indispensável elaborar um programa de seleção que considere de igual importância as características morfológicas, as de caráter e as de saúde . O valor zootécnico de uma raça é a “união”entre beleza estética e psíquica com vista a uma real funcionalidade. Para o cane corso é necessário valorizar os reprodutores que transmitam as suas dotes morfo-funcionais. Isto obviamente deve ir junto a um controle de patologias de caráter hereditárias , em particular o controle oficial da displasia. “

- O que augura para o futuro da raça?
O cane corso foi vitima nestes últimos tempos de desatenção por parte da cinofilia oficial e da falta de uma guia institucional para a tutela da raça. Isto deu lugar a nocivas polemicas levantadas as vezes por mera procura de protagonismo. Auguro por sobre tudo que possa se moderar o tom das polemicas e que a SACC, sócio coletivo reconhecido pela ENCI, da qual eu faço parte como conselheira e sócio promotor, possa continuar na sua ação de tutela da raça com o reconhecimento que juridicamente lhe corresponde. O programa de seleção apresentado pela associação em 2000 (...) representa a vontade da SACC de ter maior controle, regulamentação e valorização na criação do cane corso.”

- Ultimamente teve muitas polemicas sobre o standard, em particular sobre a mordedura...o que pensa?
“Penso que o termo “polemicas” é apropriado.... “.

Tradução: Marina Reisch – Canil Cohors.

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