| RAÇA ECLÉCTICA
(...) Pastor de bovinos, ovinos, caprinos, eqüinos e suínos;
caçador de javalis, furões e porcos-espinhos; cão
de guarda, enfim, um auxiliar das mil facetas e um companheiro precioso
no trabalho do homem.
Todos estes usos variados transformaram o corso num cão versátil,
capaz de fazer hoje em dia uma guarda formidável e de ser também
um amigo precioso, habituado a estar sempre próximo ao homem acompanhando-o
no trabalho.
A história e os testemunhos escritos fascinam os cinófilos,
mas é o caráter deste cão o aspecto morfológico
que faz com que as pessoas se apaixonem por este incomparável molosso.
Inseparável companheiro da vida , inteligente, reservado e muito
equilibrado o cane corso cultiva uma relação especial, quase
obsessiva, com o dono e, como todos os molossos, tem uma relação
muito especial com as crianças.
Não é um cão que ama as festas, mas sim as manifestações
de amor sincero, mesmo que seja um simples carinho, o recebem profundamente
e é necessário estar atento para compreender a sua resposta.
Ama o contato com o homem tanto, que tenta estar sempre por perto , apoiando
se delicadamente nas pernas do dono como se fosse um “gatão”.
Os comandos não devem ser dados com força (é bastante
inútil dado o tamanho) mas deve educar se o corso controlando o
tom da voz e lembrar que o seu nível de aprendizado é muito
alto.
Com as crianças é surpreendente no que respeita à
sua tolerância e dificilmente deixará que se aproximem estranhos
já que perto deles se comportará como um verdadeiro segurança.
A pesar do tamanho é um cão ágil e é impressionante
o pulo que pode dar de perto e de repente.
A função de guardião a realiza de forma impecável
e até os filhotes nos primeiros meses de vida demonstram um certo
interesse por tudo que os rodeia e estão sempre prontos para arrepiar
os pêlos quando sentem rumores estranhos. Bem educado dificilmente
morderá de improviso : sabe passar o recado para a visita indesejada
dando lhe a entender que seria melhor dar meia volta se não quiser
experimentar a sua mordida. Não há necessidade de estimulá-lo
para a guarda e a defesa da propriedade: nasce com estas características.
É melhor abrir sempre a porta de casa com o corso ao nosso lado
para fazer as apresentações necessárias e aceitará
de bom grado o nosso hospede, mesmo que não tire os olhos dele
controlando todos os seus movimentos.
É um cão que se adapta a todos. Ou melhor, a todas as pessoas
que respeitam os animais, porque certamente é um cão forte
que se cair nas mãos erradas, poderia ver exasperada toda a sua
potencialidade de mordida e força. Por este motivo cada proprietário
de fêmea cane corso que deseje fazê-la virar mãe ,
deve fazer uma boa escolha tanto do padreador (verificando a ausência
de patologias hereditárias e que não tenha distúrbios
de caráter) , como assim também estudar os futuros proprietários
dos filhotes verificando que estejam à altura...
Estas e outras medidas devem ser respeitadas para não estragar
, como costuma acontecer, um patrimônio italiano.
MACHO E FEMEA: IGUAIS NÃO SÃO...
Assim como existe uma diferencia de caráter de sujeito para sujeito,
esta é ainda maior entre sexos opostos.
O macho é mais impetuoso e fogoso e quando brinca adora o encontro
físico : quando se vê um corso brincando com o próprio
dono parece um urso pelo tamanho, mas sabe ser delicado com pessoas que
não agüentam o seu peso. Limita se a colocar a sua patona
no colo para convidá-lo a brincar. Os machos em geral são
mais mimosos com as mulheres, são capazes até de ficar de
barriga para cima para receber algum agrado delas, mas com homens tendem
a ser mais brutais , gostam de demonstrar ao dono como são “machões”
e que não tem tempo para “dengosidades”....
As fêmeas em geral se deixam levar com maior facilidade, são
mais doces e pacatas, sem dúvida sabem ser mais “espertinhas”
e sabem como conquistar o seu amo com qualquer persuasiva melindre. Mas
se for preciso se transformam em guardiãs temíveis e não
é difícil ver fêmeas mais bravas na guarda que os
machos.
CONVERSANDO COM EXPERTOS
Anna Battaglia, do canil Ântico Cerberus, (Mantova, Itália.
Tel:39 037645625) nos cedeu gentilmente um retrato do corso:
- Como cresce um filhote de corso e a que devemos dar
mais atenção? Como deve ser educado?
“ O primeiro ano de vida é sem dúvida o período
mais importante e determinante para a vida futura do cão, para
o correto desenvolvimento tanto físico quanto psíquico.
É necessário preocupar se com a boa alimentação
, que deve ser bem equilibrada para as exigências de um filhote
de porte medio/grande como é um corso. Mas mais ainda deve se prestar
muita atenção no que respeita ao desenvolvimento psíquico
do filhote que permita atingir os melhores resultados na relação
cão-homem. Para isto deve ser aplicado um programa educativo na
base de prover uma correta socialização e de simples regras
de “boas maneiras”. As melhores bases que permitam ao cão
um bom inserimento na vida social e/ou um adestramento futuro.”
- Como vê o corso atual e o que é necessário
melhorar sob o aspecto morfológico e caraterial?
“No nível morfológico , desde o reconhecimento da
raça até hoje, avaliando os sujeitos nas exposições
caninas noto uma maior homogeneidade de tipo , a pesar de ser ainda muito
evidentes alguns defeitos na relação das cabeças
e as proporções e construções dos troncos.
No nível do caráter se fez muito menos: mesmo se por um
lado teve uma leve aproximação aos campos de adestramento,
por outro a raça precisa mais de um único controle nos reprodutores
com potencialidade caraterial , que permita atingir na criação
uma escrupulosa seleção na base temperamental.”
- Pensa que o LIR deve ser fechado?
“Mas que fechar o LIR penso que deve ser concedido com maior critério
. O risco maior é aquele de ver atribuir certificado de tipicidade
para sujeitos que pouco tem a ver com um cane corso. Por isto seria bom
que a classe LIR seja julgada exclusivamente em exposições
ou pistas da raça pré estabelecidas , por juizes expertos
na raça designados pela Sociedade Especializada. Isto permitiria
ter homogeneidade nos critérios de julgamento.(...) “
- Adestramento, sim ou não? Guarda ou defesa?
“ Com certeza adestramento sim. Por séculos o cane corso
foi fiel e insubstituível auxiliar do homem. Hoje em dia o fim
principal do adestramento é obter do cão um correto inserimento
social, e de manter e exaltar as suas dotes carateriais que o distinguiram
no passado . Como definição considero que a que mais se
adapta é a de defensor... da propriedade e da pessoa. A sua forte
territorialidade, que se manifesta nos seus ótimos dotes de vigilância
e a sua possessividade , o induzem a defender com determinação
aquilo que cuida.”
(...)
- O que faltaria para ter uma “união “
entre cão de trabalho e cão de exposição?
“ Este é um ponto difícil que atinge muitas raças
de utilidade. Para o cane corso é indispensável elaborar
um programa de seleção que considere de igual importância
as características morfológicas, as de caráter e
as de saúde . O valor zootécnico de uma raça é
a “união”entre beleza estética e psíquica
com vista a uma real funcionalidade. Para o cane corso é necessário
valorizar os reprodutores que transmitam as suas dotes morfo-funcionais.
Isto obviamente deve ir junto a um controle de patologias de caráter
hereditárias , em particular o controle oficial da displasia. “
- O que augura para o futuro da raça?
O cane corso foi vitima nestes últimos tempos de desatenção
por parte da cinofilia oficial e da falta de uma guia institucional para
a tutela da raça. Isto deu lugar a nocivas polemicas levantadas
as vezes por mera procura de protagonismo. Auguro por sobre tudo que possa
se moderar o tom das polemicas e que a SACC, sócio coletivo reconhecido
pela ENCI, da qual eu faço parte como conselheira e sócio
promotor, possa continuar na sua ação de tutela da raça
com o reconhecimento que juridicamente lhe corresponde. O programa de
seleção apresentado pela associação em 2000
(...) representa a vontade da SACC de ter maior controle, regulamentação
e valorização na criação do cane corso.”
- Ultimamente teve muitas polemicas sobre o standard,
em particular sobre a mordedura...o que pensa?
“Penso que o termo “polemicas” é apropriado....
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